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Setembro Amarelo: falar sobre saúde mental
também é uma forma de cuidado

Em meio ao Setembro Amarelo, Luísa Sonza compartilhou sua experiência com depressão e ansiedade e reforçou a importância da terapia e da atividade física. O relato chama atenção para uma mensagem que precisa ser lembrada durante todo o ano: sofrimento emocional merece acolhimento, acompanhamento e tratamento.

Logo no início deste Setembro Amarelo, a cantora Luísa Sonza voltou a falar publicamente sobre sua saúde mental. Diagnosticada com depressão e transtorno de ansiedade generalizada, a artista contou sobre algumas mudanças que incorporou à rotina, além de destacar a importância da terapia e da atividade física para seu bem-estar.

Relatos como esse ajudam a colocar a saúde mental no centro das conversas. Afinal, depressão, ansiedade e outros transtornos não escolhem profissão, idade ou condição social, e procurar ajuda não deve ser motivo de vergonha.

É justamente essa uma das principais propostas do Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção do suicídio. Em 2026, o Centro de Valorização da Vida (CVV) trabalha com o tema “Escutar é estar presente”, chamando atenção para algo aparentemente simples, mas muito importante: oferecer uma escuta acolhedora e sem julgamentos a quem está passando por um momento difícil.

Saúde mental precisa de cuidado antes da crise

Cuidar da saúde mental não significa apenas procurar ajuda quando a situação se torna insustentável. Assim como acontece com a saúde física, prevenção e acompanhamento também fazem diferença.

Mudanças persistentes de humor, isolamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações importantes no sono ou no apetite, desesperança e dificuldade para realizar tarefas do cotidiano podem indicar que algo não vai bem.

Quando esses sinais persistem ou interferem na rotina, nas relações, nos estudos ou no trabalho, é importante procurar avaliação profissional.

Também é fundamental levar a sério falas relacionadas à morte, ao desejo de desaparecer, à falta de esperança ou à ideia de que outras pessoas estariam melhor sem aquela pessoa. Não existe uma fórmula capaz de prever uma tentativa de suicídio, mas reconhecer mudanças de comportamento e oferecer ajuda pode ser decisivo.

Psicólogo ou psiquiatra: quando procurar?

O cuidado em saúde mental pode envolver diferentes profissionais, o psicólogo e o psiquiatra frequentemente atuam de maneira complementar.

  • Psicólogo: a psicoterapia oferece um espaço profissional para compreender sentimentos, comportamentos, conflitos e formas de lidar com situações difíceis. Ela pode ser indicada tanto para pessoas com transtornos diagnosticados quanto para quem enfrenta luto, estresse, dificuldades nos relacionamentos, mudanças importantes ou sofrimento emocional.
  • Psiquiatra: o acompanhamento psiquiátrico, por sua vez, é realizado por um médico especializado em saúde mental. Ele pode diagnosticar transtornos, avaliar sintomas e, quando necessário, indicar medicamentos e acompanhar sua resposta ao tratamento.

Dependendo do quadro, o tratamento pode envolver psicoterapia, mudanças de hábitos, medicamentos, ou a combinação dessas estratégias. Atenção: medicamentos psiquiátricos não devem ser iniciados, modificados ou interrompidos sem orientação médica.

Movimento também faz bem para a mente

Atividade física não substitui psicoterapia nem tratamento médico quando eles são necessários, mas pode ser uma importante aliada da saúde mental. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a prática regular de atividade física pode contribuir para a redução de sintomas de depressão e ansiedade, além de favorecer o bem-estar, a capacidade de concentração e a saúde de maneira geral.

E não é preciso começar com um treino intenso. Algumas possibilidades são:

  • caminhadas, inclusive trajetos curtos;
  • pedalar ao ar livre ou em bicicleta ergométrica;
  • dançar, inclusive em casa;
  • praticar musculação ou exercícios de fortalecimento;
  • fazer atividades como natação, corrida, yoga ou pilates, conforme preferência e condições individuais;
  • diminuir longos períodos sentado e inserir mais movimento nas atividades cotidianas.

Para adultos, a recomendação geral da OMS é acumular entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada, ou entre 75 e 150 minutos de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular. Mas existe uma mensagem ainda mais simples para quem está parado: algum movimento é melhor do que nenhum.

Pessoas com doenças ou limitações específicas devem conversar com um profissional de saúde para definir quais atividades são mais adequadas.

Como ajudar alguém que está passando por um momento difícil?

O mais importante é estar disponível para ouvir. Evite minimizar o sofrimento com frases como “isso vai passar”, “você precisa pensar positivo” ou “tem gente passando por coisa pior”. Escute com atenção, sem julgamentos, demonstre preocupação genuína e incentive a busca por ajuda profissional.

Se houver risco imediato de suicídio, a orientação do Ministério da Saúde é não deixar a pessoa sozinha e procurar um serviço de urgência ou emergência. Também é importante, quando possível e com segurança, reduzir o acesso a meios que possam ser utilizados para provocar a própria morte.

Onde buscar ajuda

No Sistema Único de Saúde (SUS), é possível procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Em situações de urgência ou risco imediato, procure uma UPA 24h, pronto-socorro ou hospital, ou acione o SAMU pelo número 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. O atendimento telefônico funciona 24 horas por dia pelo número 188, gratuitamente, além dos canais disponibilizados pela instituição.

Setembro coloca a saúde mental em evidência, mas esse cuidado não pode terminar quando o mês acaba. Conversar, escutar, observar mudanças de comportamento, buscar tratamento e manter uma rede de apoio são atitudes que precisam fazer parte do cotidiano.

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