“Onde deixei a chave?”
Quando o esquecimento deixa de ser distração e vira um sinal de alerta
Esquecer o nome de um conhecido, perder a chave dentro de casa ou entrar em um cômodo e não lembrar o que ia fazer. Quem nunca? Na correria do dia a dia, o estresse e o excesso de informações podem fazer o nosso cérebro “tropeçar”. No entanto, quando esses lapsos deixam de ser esporádicos e começam a interferir na rotina, o corpo pode estar enviando sinais de que o processo de envelhecimento não está ocorrendo como deveria.
A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sintomas que afetam a memória, o raciocínio e as habilidades sociais. O Alzheimer é a causa mais comum, mas existem outras, como a demência vascular. Identificar os sinais iniciais é fundamental: embora muitas vezes não possamos “curar”, podemos tratar, retardar o avanço e oferecer muito mais qualidade de vida.
Aqui estão os sinais iniciais que merecem a sua atenção:
- Perda de memória que afeta o cotidiano: não se trata de esquecer um compromisso que você anotou, mas sim de esquecer informações recém-aprendidas ou fazer a mesma pergunta várias vezes, dependendo cada vez mais de lembretes ou de familiares para coisas que antes fazia sozinho.
- Dificuldade em planejar ou resolver problemas: sabe aquela receita de família que a pessoa fazia de olhos fechados? Ou o controle das contas do mês? No início da demência, tarefas que envolvem números, passos sequenciais ou concentração tornam-se um desafio desproporcional.
- Confusão com tempo e espaço: perder-se no caminho de casa, esquecer em que dia da semana estamos ou não entender como chegou a determinado lugar são sinais clássicos. A pessoa com demência pode perder a noção de datas e do passar das estações.
- Dificuldade com palavras e conversas: todos temos momentos de “está na ponta da língua”, mas na demência a pessoa pode parar no meio de uma frase e não saber como continuar, ou trocar nomes de objetos comuns (chamar um “relógio” de “máquina de tempo”, por exemplo).
- Mudanças de humor e personalidade: é um dos sinais mais negligenciados. O paciente pode se tornar confuso, desconfiado, depressivo, ansioso ou facilmente irritável. Ele pode perder o interesse em hobbies que antes apreciava ou se afastar de eventos sociais.
O olhar da Endocrinologia
Existe prevenção? Um ponto vital: o cérebro não trabalha isolado. O que é bom para o coração e para o metabolismo é bom para a mente. O controle rigoroso da glicemia e do colesterol, além de uma alimentação equilibrada e atividade física, ajuda a proteger os vasos sanguíneos cerebrais. Manter o metabolismo em ordem é uma das formas mais eficazes de “adiar” o declínio cognitivo.
O que fazer?
Se você notou esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo, o primeiro passo não é o pânico, mas a investigação. Exames de laboratório e testes cognitivos feitos por especialistas (neurologistas ou geriatras) podem diferenciar o que é demência de outras condições tratáveis, como deficiências vitamínicas ou distúrbios da tireoide.
Cuidar do cérebro é uma tarefa que começa hoje. Atenção aos sinais, carinho com as lembranças e foco na prevenção!
Sugestões de consulta
- Alzheimer’s Association (EUA) – 10 Early Signs and Symptoms of Alzheimer’s and Dementia: a maior referência mundial para a categorização de sintomas iniciais para o público leigo. Endereço: https://www.alz.org/alzheimers-dementia/10_signs?utm_source=google-grant&utm_medium=paidsearch&utm_campaign=google_grant&gad_source=1&gad_campaignid=22170277329&gbraid=0AAAAAD14_NgxkaLIPS9_0sYyt_bPis-Db&gclid=CjwKCAiAtLvMBhB_EiwA1u6_PvW-atzLmHi8WxaKuqCF-y00PAj3IyUGoosLLPpFAz_z3OctX4wglxoCSaAQAvD_BwE (acesso em fevereiro de 2026)
- Portal do Envelhecimento e Longeviver: site com matérias sobre envelhecimento, saúde, direitos, eventos e informações gerais. Endereço: https://portaldoenvelhecimento.com.br/
- Saúde da Pessoa Idosa (Governo Federal): seção oficial do Ministério da Saúde sobre saúde do idoso, incluindo informações sobre doenças, prevenção e cuidados. Endereço: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-idosa (acesso em fevereiro de 2026)
