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Mais anos, mais histórias: o que significa viver mais e envelhecer bem?

No Dia Internacional da Pessoa Idosa, celebrado em 1º de outubro, o crescimento da população idosa no Brasil e no mundo convida a olhar para a longevidade de uma nova maneira: com mais saúde, respeito, autonomia e qualidade de vida

Chegar aos 80, 90 anos ou mais é uma realidade cada vez mais comum. Os avanços na medicina, a melhoria das condições de vida e a redução da mortalidade fizeram com que mais pessoas alcançassem idades que, algumas gerações atrás, eram bem menos frequentes.

Por isso, falar sobre envelhecimento não precisa significar falar apenas sobre limitações ou doenças, mas falar sobre experiências, vínculos, novos projetos, autonomia, participação social e sobre como podemos nos preparar, individual e coletivamente, para viver mais e melhor.

Celebrado em 1º de outubro, o Dia Internacional da Pessoa Idosa foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1990. A data chama a atenção para as oportunidades e os desafios trazidos pelo envelhecimento da população e para a importância de garantir dignidade, participação e direitos às pessoas idosas.

O mundo está ficando mais velho – uma grande transformação

O envelhecimento populacional está acontecendo em muitos países. Segundo a ONU, o número de pessoas com 60 anos ou mais passou de aproximadamente 541 milhões em 1995 para 1,2 bilhão em 2025. A projeção é de que esse grupo alcance cerca de 2,1 bilhões de pessoas em 2050.

Outro dado chama a atenção: a população com 80 anos ou mais também cresce rapidamente. Isso significa que além de vermos mais pessoas chegarem aos 60 ou 70 anos, um número crescente alcançando fases ainda mais avançadas da vida também é notável.

E no Brasil?

O Brasil também está envelhecendo rapidamente. De acordo com o Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), havia cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no país. Esse grupo representava 15,8% da população brasileira, enquanto em 2010 correspondia a 10,8%.

São números que ajudam a mostrar como a imagem do Brasil como um país predominantemente jovem vem se transformando. Segundo dados do IBGE referentes a 2022, uma pessoa que chegava aos 60 anos no Brasil tinha uma expectativa média de viver mais de 21 anos. Então, viver depois dos 60 pode significar ainda muitos anos pela frente.

Essa mudança demográfica representa uma conquista, mas também traz uma reflexão importante: não basta acrescentar anos à vida: é preciso criar condições para isso, com saúde e autonomia. Para muitas pessoas, pode representar décadas de convivência familiar, amizades, viagens, aprendizado, trabalho, atividades culturais, exercícios, hobbies, novos projetos e descobertas.

Envelhecimento saudável começa muito antes dos 60

Quando pensamos em longevidade, uma das mensagens mais importantes é justamente esta: o modo como envelhecemos também é influenciado pelos cuidados acumulados ao longo da vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalha com o conceito de envelhecimento saudável, entendido como o processo de desenvolver e manter as capacidades que permitem bem-estar durante a velhice. Isso envolve não apenas as condições físicas e mentais de cada pessoa, mas também o ambiente em que ela vive e as oportunidades que encontra para continuar fazendo aquilo que considera importante.

Alguns cuidados podem contribuir para uma vida mais longa e saudável:

  • manter uma alimentação equilibrada e adequada às necessidades individuais;
  • praticar atividade física regularmente, respeitando as condições e orientações de saúde de cada pessoa;
  • realizar consultas, exames e vacinação conforme recomendação dos profissionais de saúde;
  • evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
  • cuidar da qualidade do sono;
  • manter vínculos com familiares, amigos e comunidade;
  • estimular a mente com leitura, música, jogos, aprendizado e novas atividades;
  • cuidar da saúde emocional e buscar ajuda quando necessário;
  • acompanhar e tratar adequadamente problemas de saúde já existentes.

Prevenção e cuidado são importantes para todas as idades, de acordo com a abordagem da OMS para o curso da vida, que destaca justamente a importância de promover saúde e bem-estar.

Nunca é tarde para começar a se cuidar

Ter hábitos saudáveis desde a infância pode favorecer um envelhecimento melhor, mas isso não é uma regra, não há uma idade certa para começar. Movimentar-se mais, melhorar a alimentação, ter atividades prazerosas, fortalecer relações sociais e manter o acompanhamento médico são atitudes que podem fazer parte da rotina em todos os momentos da vida.

O objetivo não precisa ser atingir um modelo ideal de envelhecimento. Cada pessoa envelhece de maneira diferente, com sua própria história, condições de saúde, possibilidades e necessidades.

Envelhecer bem também é preservar o máximo possível de independência, escolhas e participação na própria vida.

Respeito também faz parte de envelhecer bem

Uma sociedade preparada para viver mais precisa ir além dos cuidados de saúde. É necessário combater o preconceito relacionado à idade, respeitar as escolhas das pessoas idosas e evitar a ideia de que envelhecer significa automaticamente tornar-se incapaz, dependente ou sem novos interesses.

Pessoas idosas continuam tendo opiniões, desejos, projetos, conhecimentos e muito a oferecer às famílias e comunidades. Dar espaço para que continuem participando das decisões que dizem respeito à própria vida é uma forma essencial de respeito.

A Década do Envelhecimento Saudável 2021-2030, iniciativa das Nações Unidas liderada pela OMS, inclui entre suas principais áreas de atuação a mudança da forma como pensamos, sentimos e agimos em relação à idade e ao envelhecimento, além da criação de comunidades que favoreçam as capacidades e a participação das pessoas idosas.

Mais longevidade, novas possibilidades

Viver mais é uma das grandes conquistas das últimas gerações. Agora, o desafio é fazer com que esses anos adicionais sejam acompanhados, sempre que possível, de saúde, autonomia, segurança, oportunidades e bons vínculos.

O Dia Internacional da Pessoa Idosa, em 1º de outubro, é uma oportunidade para lembrar que envelhecer faz parte da vida, e construir uma sociedade melhor para as pessoas idosas significa, na prática, construir um futuro melhor para todos nós.

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