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Depois dos 65, sua capacidade física pode dizer muito sobre sua saúde

Um grande estudo mostra que equilíbrio, agilidade, força das pernas e condicionamento físico estão fortemente associados à longevidade. E alguns testes levam apenas segundos

Quando pensamos em envelhecimento saudável, costumamos olhar para pressão arterial, colesterol, glicose e para a lista de doenças que uma pessoa acumulou ao longo da vida. Mas talvez exista outro sinal vital diante dos nossos olhos: aquilo que o corpo ainda consegue fazer.

Um estudo publicado em 10 de agosto de 2026 no JAMA Network Open acompanhou 13.423 pessoas com 65 anos ou mais, com idade média de 72,9 anos. Em vez de apenas perguntar se elas praticavam atividade física, os pesquisadores mediram objetivamente diferentes capacidades: condicionamento cardiorrespiratório, força muscular, flexibilidade, equilíbrio e agilidade. Durante cerca de sete anos, 1.631 participantes morreram. A diferença foi marcante.

Os idosos com melhor desempenho global nos testes apresentaram risco de morte 61% menor em comparação com aqueles de pior desempenho. Entre os testes individuais, alguns dos resultados mais fortes apareceram justamente em capacidades extremamente simples.

No teste de levantar da cadeira e caminhar cerca de 2,4 metros, dar a volta e sentar novamente, o grupo com melhor desempenho apresentou risco 59% menor. No teste de permanecer apoiado em uma perna, a diferença chegou a 50%. Para força das pernas, avaliada pelo número de vezes que a pessoa conseguia levantar-se de uma cadeira em 30 segundos, o risco foi 45% menor. Melhor desempenho no teste cardiorrespiratório esteve associado a risco 42% menor.

Isso não significa que conseguir ficar em uma perna só “evite” a morte. O estudo não permite afirmar causa e efeito. Provavelmente, esses testes funcionam como pequenas janelas para algo muito maior: a reserva fisiológica do organismo.

Uma pessoa que mantém força para levantar-se, equilíbrio para permanecer estável, agilidade para caminhar e capacidade cardiovascular para sustentar esforço provavelmente preservou melhor vários sistemas do corpo ao mesmo tempo.

Há ainda uma mensagem particularmente importante: a maior diferença de risco apareceu entre aqueles com pior condição física e os demais. Em outras palavras, talvez não seja necessário transformar um idoso em atleta para obter relevância clínica. Retirar uma pessoa da faixa de pior capacidade funcional pode ser justamente onde existe o maior potencial de benefício.

Envelhecer, portanto, não deveria ser medido apenas pelo número de aniversários ou de diagnósticos acumulados. Há uma pergunta igualmente importante:

O que o seu corpo ainda é capaz de fazer?

Talvez essa seja uma das medidas mais interessantes da idade biológica que carregamos.

Referência 

  • Wu MC, Hsu CT, Hsu HT, et al. Physical Fitness and All-Cause Mortality in Older Adults. JAMA Network Open. 2026;9(8):e2628227. 
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Clayton Macedo

Médico endocrinologista e curador do Portal Mais Saúde.

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