Mais saude-Thumbs-Azeite de oliva extravirgem

Azeite de oliva extravirgem pode fazer parte de um envelhecimento mais saudável

Em adultos fisicamente ativos e adeptos da dieta mediterrânea, o maior consumo de azeite extravirgem esteve associado à preservação da percepção de saúde física e a menor impacto da idade sobre a dor. O estudo reforça o interesse por esse alimento, mas não prova que o azeite, isoladamente, seja responsável pelo efeito

O azeite de oliva extravirgem é quase uma assinatura da dieta mediterrânea. Está na salada, nos legumes, no peixe e na cozinha de populações em que esse padrão alimentar atravessa gerações. Há boas evidências relacionando a dieta mediterrânea à saúde cardiovascular e metabólica. Agora, um estudo publicado no European Journal of Nutrition investigou outra questão: o consumo de azeite poderia estar associado também à maneira como nossa saúde física se comporta à medida que envelhecemos?

Os pesquisadores estudaram 180 adultos espanhóis, entre 41 e 80 anos. Todos eram fisicamente ativos, estavam em bom estado geral de saúde e já apresentavam boa adesão à dieta mediterrânea.

Os participantes foram divididos em dois grupos. 55 consumiam menos de quatro colheres de sopa de azeite extravirgem por dia, enquanto 125 consumiam quatro colheres ou mais, o equivalente a aproximadamente 50 mililitros diários.

Em seguida, responderam a um questionário amplamente utilizado em pesquisas de saúde, que avalia capacidade para realizar atividades cotidianas, limitações físicas, percepção da própria saúde e dor.

O resultado chamou a atenção.

Entre as pessoas que consumiam menos de quatro colheres por dia, o avanço da idade esteve relacionado a uma pior percepção global da saúde física e a maior impacto da dor. Entre aquelas que consumiam quatro colheres ou mais, essa associação não foi encontrada.

Isso não significa, porém, que o azeite tenha impedido o envelhecimento físico. Quando os pesquisadores analisaram especificamente a capacidade funcional, ela diminuiu com a idade nos dois grupos. Portanto, seria incorreto concluir que quatro colheres de azeite preservam a função física ou evitam os efeitos do envelhecimento.

O que existe dentro do azeite?

O azeite extravirgem não é simplesmente gordura.

Grande parte de sua composição é formada por gorduras monoinsaturadas, especialmente o ácido oleico. Ele também contém pequenas quantidades de substâncias bioativas, como os polifenóis, estudados por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Entre eles está o oleocanthal, que atua sobre algumas das mesmas vias inflamatórias envolvidas na ação do ibuprofeno. Isso não transforma azeite em medicamento ou analgésico, mas ajuda a explicar por que seus componentes despertam tanto interesse científico.

Outro composto é o hidroxitirosol, estudado por sua ação antioxidante e por possíveis efeitos favoráveis sobre os vasos sanguíneos e o metabolismo.

Há, portanto, mecanismos que poderiam ajudar a explicar os resultados encontrados. Mas uma explicação biologicamente possível ainda não significa que exista uma relação de causa e efeito.

Quais são as limitações?

O estudo observou as pessoas em um único momento e, por isso, não pode provar que consumir mais azeite causou os resultados encontrados. A quantidade ingerida foi relatada pelos próprios participantes, outros detalhes da alimentação não foram totalmente controlados, e a amostra era bastante específica: pessoas fisicamente ativas, relativamente saudáveis e que já seguiam a dieta mediterrânea.

Além disso, a pesquisa avaliou a percepção de dor de maneira geral, sem identificar se ela era muscular, articular, neurológica ou de outra origem.

Então devemos consumir quatro colheres por dia?

O estudo não permite fazer essa recomendação como uma prescrição.

Quatro colheres de sopa de azeite fornecem aproximadamente 480 calorias. Simplesmente acrescentá-las à alimentação habitual, sem substituir outras fontes de gordura ou energia, pode aumentar consideravelmente a ingestão calórica.

A aplicação prática faz mais sentido quando pensamos em substituição, e não simplesmente em adição. Dentro de uma alimentação equilibrada, o azeite extravirgem pode ocupar o lugar de outras gorduras e ser utilizado para temperar verduras e legumes ou preparar diferentes alimentos.

E talvez esteja aí a mensagem mais importante. As pessoas que apresentaram essa associação favorável não estavam simplesmente tomando azeite todos os dias. Elas eram fisicamente ativas e seguiam uma dieta mediterrânea.

O azeite pode ser uma peça valiosa desse quebra-cabeça. Mas envelhecer com saúde dificilmente depende de um único alimento. Depende do conjunto: alimentação, atividade física e hábitos que, repetidos todos os dias, acabam construindo a maneira como envelhecemos.

Referência

  • Conde-Pipó J, Molina-Garcia C, Arense J, et al. Protective effect of extra virgin olive oil (EVOO) consumption on the physical component of health-related quality of life in aging adults. European Journal of Nutrition. 2026;65:47. doi:10.1007/s00394-026-03906-y.
Mais saude-Molduras-Clayton Macedo

Clayton Macedo

Médico endocrinologista e curador do Portal Mais Saúde.

Compartilhe:
Rolar para cima