Treinar de acordo com o ciclo menstrual aumenta os ganhos de força e massa muscular?
Novo estudo desafia uma prática cada vez mais popular nas redes sociais e mostra que distribuir o treino conforme as fases do ciclo menstrual não trouxe vantagens sobre o treinamento convencional.
Nos últimos anos, ganhou força a ideia de que mulheres deveriam adaptar o treinamento de musculação às diferentes fases do ciclo menstrual. A teoria sugere que a fase folicular, quando os níveis de estrogênio aumentam, seria mais favorável ao ganho de massa muscular e força, enquanto a fase lútea exigiria redução do volume de treino. Mas um novo ensaio clínico randomizado coloca essa hipótese em xeque.
Pesquisadores da McMaster University, no Canadá, acompanharam 24 mulheres saudáveis, com ciclos menstruais regulares e confirmados por exames hormonais. Durante cerca de 12 semanas, elas realizaram treinamento de força em protocolos cuidadosamente controlados, comparando três estratégias: treinamento contínuo com volume equilibrado durante todo o ciclo, maior volume concentrado na fase folicular ou maior volume concentrado na fase lútea. O volume total de treinamento foi mantido igual entre os grupos, permitindo avaliar exclusivamente o efeito da fase do ciclo menstrual.
Os resultados foram consistentes. Todas as estratégias aumentaram massa muscular e força quando comparadas ao grupo sem treinamento. No entanto, não houve diferença entre treinar mais intensamente na fase folicular, na fase lútea ou distribuir o treinamento ao longo de todo o ciclo. As avaliações incluíram absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA), ultrassonografia do músculo vasto lateral, testes de força máxima e contração isométrica, todos apontando para a mesma conclusão.
Os autores destacam que o principal determinante das adaptações foi o volume total de treinamento realizado ao longo das semanas, e não o momento do ciclo menstrual em que esse treinamento ocorreu. Isso significa que, para a maioria das mulheres saudáveis com ciclos naturais, não há evidências de que seja necessário reorganizar o treinamento apenas para tentar potencializar hipertrofia ou ganho de força.
É importante ressaltar que o estudo avaliou mulheres jovens, saudáveis, sem uso de anticoncepcionais hormonais e com ciclos ovulatórios confirmados. Portanto, os resultados não podem ser extrapolados para atletas de elite, mulheres com distúrbios menstruais, síndrome dos ovários policísticos, menopausa ou outras condições hormonais específicas.
Mensagem prática
Este estudo reforça que a consistência do treinamento continua sendo mais importante do que tentar sincronizar a musculação com o ciclo menstrual. Ajustes individuais podem ser úteis para melhorar conforto, sintomas ou adesão ao exercício, mas, até o momento, não há evidência robusta de que treinar mais em uma fase específica do ciclo produza maiores ganhos de força ou massa muscular.
Referência
- D’Souza AC, Van Every DW, Bhinder A, et al. Menstrual Cycle Phase Does Not Influence Training-Induced Muscle Hypertrophy or Strength: A Randomized Controlled Trial. Medicine & Science in Sports & Exercise. Publicado online em 18 de maio de 2026.

