Esquecimento ou alerta?
Como distinguir as falhas da idade dos primeiros sinais de demência
“Onde deixei a chave?” ou “Como é mesmo o nome daquela pessoa?” são perguntas que todos fazemos em algum momento. No entanto, quando os lapsos de memória começam a interferir na autonomia ou mudam a personalidade de quem amamos, o sinal de alerta precisa ser ligado. As demências, sendo o Alzheimer a mais comum delas, não fazem parte do envelhecimento “normal”. Elas são condições médicas que deixam rastros muito antes do diagnóstico final.
Os sinais precoces: o que observar?
Diferente do esquecimento cotidiano, o sinal de alerta na demência geralmente envolve a perda de funções que já eram automáticas.
- Desorientação no tempo e espaço: esquecer o dia da semana ou perder-se em caminhos que sempre foram familiares.
- Dificuldade com tarefas complexas: ter dificuldade para gerenciar contas bancárias, seguir uma receita de cozinha ou usar o controle remoto.
- Mudanças de humor e comportamento: ficar excessivamente apático, desconfiado ou irritado sem uma causa aparente.
- Repetição excessiva: fazer a mesma pergunta várias vezes em um curto intervalo, sem perceber que já obteve a resposta.
O lado B do esquecimento: o papel do metabolismo
Importante: nem todo declínio cognitivo é Alzheimer. Existem causas tratáveis que mimetizam a demência. A polideficiência de vitaminas do complexo b (especialmente a B12) e desequilíbrios na tireoide podem causar confusão mental e perda de memória. Investigar essas causas metabólicas é o primeiro passo de qualquer avaliação séria.
Quando procurar ajuda?
A regra de ouro é: se o esquecimento ou a mudança de comportamento está prejudicando a rotina, a hora é agora. O diagnóstico precoce não serve apenas para tratar, mas, para planejar o futuro, ajustar o ambiente e oferecer qualidade de vida tanto para o paciente quanto para a família.
Cuidar do cérebro é, também, cuidar do corpo. Controle da pressão arterial, sono de qualidade e níveis de vitamina D otimizados são os pilares da sua reserva cognitiva. Não ignore os sinais; a informação é a nossa melhor ferramenta de prevenção.
Sugestões de consulta
- Alzheimer Portugal: 10 sinais de alerta e estágios da doença. Endereço: https://alzheimerportugal.org/10-sinais-de-alerta/ (acesso em março de 2026)
- World Health Organization (WHO): guia para o manejo de transtornos mentais e neurológicos em idosos (mhGAP). Endereço: https://www.who.int/publications/i/item/9789240084278 (acesso em março de 2026)
