Por que o exercício nem sempre faz a balança cair como o esperado
Estudo mostra que o organismo pode economizar energia durante um programa aeróbico, mas ainda assim reduzir gordura visceral, aumentar massa livre de gordura e melhorar o condicionamento físico
Fazer exercício e perder pouco peso não significa que o treinamento “não funcionou”. Um novo estudo publicado na Communications Medicine acompanhou 16 adultos sedentários com excesso de peso durante 12 semanas de caminhada aeróbica supervisionada, cerca de 200 minutos por semana.
O gasto energético previsto com os exercícios sugeria uma perda de peso entre 2,4 e 4,8 kg, dependendo do modelo matemático utilizado. Na prática, a variação média foi de apenas 0,2 kg a menos, sem significância estatística.
O organismo, porém, não permaneceu inalterado. Os participantes perderam em média 1,2 kg de gordura, ganharam aproximadamente 1 kg de massa livre de gordura e reduziram em cerca de 10% a gordura visceral, aquela acumulada ao redor dos órgãos e mais relacionada ao risco cardiometabólico. A capacidade aeróbica também melhorou.
A explicação para a pequena mudança na balança parece estar na chamada compensação energética. Embora o gasto energético diário total tenha aumentado cerca de 194 kcal, o metabolismo de repouso caiu aproximadamente 74 kcal por dia. O gasto durante o sono também ficou cerca de 105 kcal abaixo do previsto. Além disso, os participantes passaram a caminhar com maior eficiência, gastando menos energia para realizar o mesmo movimento.
O consumo alimentar não aumentou de forma detectável. Portanto, nesta amostra, a compensação parece ter ocorrido principalmente pela redução de outros componentes do gasto energético, e não porque as pessoas comeram mais.
Os pesquisadores também observaram pequenas reduções no volume do fígado e dos rins. Esse achado é inédito e pode representar remodelamento metabólico, mas ainda não se sabe se essas alterações causam a redução do metabolismo ou apenas acontecem paralelamente a ela.
Mensagem prática
A balança conta apenas parte da história. O exercício pode produzir benefícios importantes mesmo quando o peso quase não muda. Para emagrecimento mais expressivo, o treinamento deve ser combinado com estratégia nutricional, progressão individualizada e acompanhamento da composição corporal, da gordura visceral e da aptidão física.
Limitações
O estudo incluiu apenas 16 participantes, não teve grupo controle paralelo e avaliou adultos relativamente homogêneos, com idade entre 33 e 44 anos e excesso de peso. Parte das explicações celulares veio de experimentos com animais e deve ser considerada hipótese, não comprovação em humanos. Os resultados não justificam aumentar indiscriminadamente o volume de exercício.
Referência
- Knaan T, Ziv-Av E, Dubnov-Raz G, et al. Multilevel metabolic adaptation to exercise training. Communications Medicine. 2026;6:244.


