Menopausa: por que a consulta médica também precisa evoluir
Novo artigo publicado no Lancet propõe um modelo estruturado
de atendimento para colocar a mulher no centro da consulta, combater a desinformação e melhorar as decisões sobre o tratamento da menopausa
Texto escrito em parceria com a Dra. Rossella Nappi
A menopausa deixou de ser apenas um tema da Endocrinologia e da Ginecologia para se tornar uma prioridade de saúde pública. Ainda assim, milhões de mulheres chegam ao consultório sem informações adequadas e muitos profissionais de saúde relatam dificuldades para conduzir esse atendimento de forma estruturada. É esse cenário que motivou um novo artigo publicado no The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health, propondo uma maneira mais organizada e centrada na paciente para conduzir a consulta sobre menopausa.
Os autores mostram que o problema começa antes mesmo da consulta. Em um levantamento com 947 mulheres na perimenopausa, até 90% disseram nunca ter recebido qualquer educação sobre menopausa na escola, enquanto mais de 60% afirmaram sentir-se completamente desinformadas. Além disso, muitas relataram não se sentirem adequadamente apoiadas pelo médico da atenção primária.
A deficiência de conhecimento também atinge os profissionais. Em um questionário realizado com médicos de família do Reino Unido, 52% declararam não se sentir suficientemente preparados para orientar mulheres com sintomas da menopausa, evidenciando que a necessidade de educação continuada envolve tanto pacientes quanto equipes de saúde.
Como resposta, o artigo propõe um modelo simples e prático chamado “Sintomas, Histórias e Soluções”. Primeiro, o médico identifica sistematicamente os sintomas físicos, psicológicos e urogenitais. Em seguida, procura compreender como esses sintomas afetam o trabalho, o sono, os relacionamentos, a cognição e a qualidade de vida da mulher. Por fim, constrói, em conjunto com a paciente, um plano terapêutico individualizado que pode incluir terapia hormonal, tratamentos não hormonais e mudanças no estilo de vida, sempre baseado em decisão compartilhada e nas melhores evidências científicas.
Os autores defendem que uma consulta de qualidade vai muito além de prescrever ou não hormônios. Ela deve oferecer informação confiável, ouvir as prioridades da mulher, combater a desinformação — frequentemente amplificada pelas redes sociais — e ajudá-la a participar ativamente das decisões sobre sua própria saúde. Mais do que um novo protocolo, o trabalho propõe uma mudança de cultura: transformar a consulta em um processo de cuidado verdadeiramente centrado na paciente.
Mensagem prática
A menopausa não deve ser tratada apenas como uma fase natural da vida, mas como um período que pode trazer sintomas importantes e impactar a qualidade de vida. Informação baseada em evidências, escuta qualificada e decisões compartilhadas são pilares para um cuidado mais humano e eficaz.
Referência
- Harper JC, Nappi RE, Stute P. Modernising menopause counselling: a structured approach to person-centred care. Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health. Published online July 7, 2026.
Sugestão de consulta
- Página da Dra. Rossella Nappi no Instagram: https://www.instagram.com/p/DbXlpg-MNx4/?igsh=bnpmaTM0YWFjaHBz

