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Emagrecer com incretinas: por que a alimentação continua sendo importante?

As incretinas ajudam a controlar a fome e a saciedade, mas uma alimentação equilibrada continua sendo essencial para emagrecer preservando músculos, saúde e qualidade de vida

Os medicamentos que atuam nas incretinas, como os agonistas de GLP-1 e os medicamentos que combinam GLP-1 e GIP, podem ajudar muito no tratamento da obesidade. Eles reduzem a fome, aumentam a sensação de saciedade e fazem com que muitas pessoas passem a comer menos. Mas comer menos não significa, necessariamente, comer melhor. Por isso, mesmo utilizando o medicamento, é importante cuidar da qualidade e da quantidade dos alimentos consumidos. 

O objetivo da alimentação durante o tratamento não é simplesmente reduzir calorias. É garantir que, mesmo com menos fome, o organismo receba proteínas, vitaminas, minerais, fibras e líquidos suficientes. As proteínas são especialmente importantes para ajudar a preservar os músculos durante o emagrecimento. Procure incluir boas fontes de proteína nas refeições, como ovos, peixes, frango, carnes magras, leite e derivados, feijão, lentilha, grão-de-bico, soja e seus derivados. Quando necessário, o nutricionista poderá indicar um suplemento de proteína. 

Também é importante consumir frutas, verduras, legumes, feijão e outros alimentos ricos em fibras, dando preferência aos alimentos pouco processados. A recomendação geral é chegar a pelo menos 25 g de fibras por dia, aumentando gradualmente conforme a tolerância. A hidratação também merece atenção: em geral, recomendam-se cerca de 2 a 2,5 litros de líquidos por dia, principalmente água, mas essa quantidade deve ser individualizada quando existem doenças que exigem restrição de líquidos. 

Náuseas, azia, constipação, diarreia e sensação de estar satisfeito muito rapidamente podem acontecer, principalmente quando a dose do medicamento está sendo aumentada. Fazer refeições menores, comer devagar, ajustar alimentos gordurosos e manter uma boa hidratação pode ajudar. Se houver vômitos persistentes ou dificuldade para manter alimentos e líquidos, é importante procurar a equipe de saúde. 

E existe outro ponto fundamental: emagrecer não significa apenas perder peso; precisamos preservar os músculos e a capacidade física. Por isso, o exercício, especialmente o treinamento de força, deve fazer parte do tratamento. Algumas pessoas podem perceber mudanças na relação com a comida, nos pensamentos sobre alimentação e até na forma como lidam com emoções. O acompanhamento psicológico pode ser importante quando essas mudanças provocarem sofrimento ou dificuldades de adaptação. 

O medicamento é uma ferramenta. Alimentação adequada, exercício e acompanhamento profissional são parte do tratamento.

Referência

  • Dobbie LJ, Tolvanen L, Alves D, et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults – an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology. 2026. Published online July 8, 2026. 
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Heloísa Theodoro

Nutricionista e colunista do Portal Mais Saúde.

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