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Baixa estatura na infância: o que é normal e quando investigar

Medir corretamente, acompanhar a curva de crescimento e reconhecer possíveis alterações são passos importantes para avaliar a saúde infantil.

A altura dos filhos é uma preocupação frequente dos pais, e a baixa estatura está entre os principais motivos de encaminhamento ao endocrinologista pediátrico. Na maior parte dos casos, a criança mais baixa é saudável e está apenas seguindo o padrão da família ou o seu próprio ritmo. Ainda assim, o crescimento é um bom indicador de saúde, e algumas situações merecem investigação.

O que é considerado baixa estatura

Fala-se em baixa estatura quando a altura da criança está mais de dois desvios-padrão abaixo da média para idade e sexo nas curvas de crescimento.

Uma medida isolada, porém, diz pouco. Mais importante do que a altura em um único momento é a velocidade de crescimento: quantos centímetros a criança ganha por ano. A altura dos pais também entra na conta, porque ajuda a estimar a faixa de altura esperada para aquela criança.

A importância de medir corretamente

Como a avaliação depende de diferenças de poucos centímetros, a técnica de medida precisa ser rigorosa. O ideal é usar um estadiômetro devidamente calibrado, com a criança descalça e em pé, com calcanhares, nádegas e ombros encostados na superfície e olhando para a frente. Medidas feitas em casa, com fita métrica, marcas na parede ou réguas acopladas a balanças, podem gerar erros. Esses erros podem confundir pais e profissionais de saúde e levar a conclusões equivocadas sobre o crescimento.

Quando é o padrão da criança

Duas situações respondem pela maioria dos casos e não são doenças. Na baixa estatura familiar, os pais também são baixos e a criança cresce em velocidade normal, mantendo sua faixa na curva.

No atraso constitucional do crescimento e da puberdade, a criança costuma ser mais baixa que os colegas durante a infância, mas cresce em velocidade adequada. A puberdade começa mais tarde e, com ela, o estirão. Por isso, a diferença em relação aos amigos fica mais evidente no início da adolescência. A criança, porém, segue crescendo por mais tempo e costuma chegar a uma altura adulta compatível com a da família. É frequente que um dos pais tenha tido a mesma história.

Sinais de alerta

Alguns achados indicam que vale aprofundar a avaliação:

  • a criança vai “caindo” de faixa na curva ou cresce poucos centímetros por ano;
  • a altura está bem abaixo do esperado para a família;
  • ganho de peso acelerado enquanto o crescimento está estagnado;
  • sintomas de doença crônica, como diarreia persistente, febre sem causa aparente, perda de peso ou infecções de repetição;
  • sinais de puberdade muito antes ou muito depois do esperado;
  • proporções corporais diferentes do habitual, como braços e pernas curtos em relação ao tronco, ou outras características físicas que chamem atenção;
  • a criança nasceu pequena para a idade gestacional e não recuperou o crescimento nos primeiros anos de vida.

Quando procurar o especialista

O acompanhamento do crescimento começa no pediatra, com medidas regulares registradas na curva. Diante de algum dos sinais acima, ou quando a dúvida persiste, a avaliação com o endocrinologista pediátrico ajuda a diferenciar uma variante do normal de uma condição que precisa ser investigada.

Para a consulta, vale levar a caderneta de saúde ou registros de medidas anteriores e saber a altura dos pais. Essas informações muitas vezes orientam o raciocínio mais do que qualquer exame isolado.

Referências

  • Cohen LE. Idiopathic short stature: a clinical review. JAMA. 2014;311(17):1787-96.
  • Collett-Solberg PF, Ambler G, Backeljauw PF et al. Diagnosis, genetics, and therapy of short stature in children: a Growth Hormone Research Society international perspective. Horm Res Paediatr. 2019;92(1):1-14.
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Victor Cugi Gonçalves

Endocrinologista pediátrico e colunista do Portal Mais Saúde.

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