Retatrutida, o risco que não aparece no espelho
Nos fóruns de fisiculturismo, ela virou ferramenta para definir, secar e hipertrofiar. Na ciência, ainda é experimental
Texto extraído de post da página @drclaytonendocrino, no Instagram
Nos fóruns de fisiculturismo, a retatrutida vem sendo discutida como uma ferramenta para acelerar a definição muscular, reduzir gordura corporal e ajudar atletas a permanecerem mais secos durante ciclos de ganho de massa. Em alguns grupos, chegam a atribuir à molécula efeitos anabólicos que jamais foram demonstrados pela ciência.
Existe, porém, um problema fundamental: a retatrutida ainda é um medicamento experimental. Ela não foi aprovada para uso comercial em nenhum país. Isso significa que os produtos atualmente vendidos como “retatrutida” no mercado paralelo não possuem garantia de autenticidade, pureza, estabilidade ou composição.
O alerta recente de lesão hepática ocorrido na Austrália não envolve a molécula utilizada nos estudos clínicos da indústria farmacêutica. Envolve produtos comercializados clandestinamente como retatrutida, sem controle de qualidade e sem garantia sobre o que realmente havia dentro dos frascos.
A ciência investiga a retatrutida para o tratamento da obesidade e das doenças metabólicas. Parte do fisiculturismo clandestino está transformando uma molécula experimental em uma ferramenta estética. Quando evidência científica é substituída por promessas de definição muscular, o risco deixa de ser teórico e passa a fazer parte do protocolo.
A preocupação não se limita à retatrutida. O uso de esteroides anabolizantes já está associado a riscos cardiovasculares, hepáticos, metabólicos, hormonais e psiquiátricos bem documentados. O que preocupa é a adição de uma substância experimental, frequentemente adquirida no mercado clandestino, a um cenário que já é biologicamente complexo e potencialmente perigoso. Quando múltiplas drogas são combinadas sem evidência de segurança para essa finalidade, a imprevisibilidade dos riscos aumenta ainda mais.
