Linfoma não Hodgkin: por que alguns tipos avançam tão rapidamente?
A morte do cantor Netinho, que enfrentava a doença desde 2025, chama a atenção para os diferentes tipos de linfoma, seus sintomas e as possibilidades de tratamento
No dia 13 de outubro, aos 60 anos, a morte do cantor Netinho trouxe à tona uma doença ainda pouco conhecida por parte da população: o linfoma não Hodgkin. O artista enfrentava o câncer desde 2025 e, após a volta da doença, apresentou complicações graves que levaram à sua morte.
O caso chama a atenção para a importância de conhecer os sinais do linfoma, um tipo de câncer que pode atingir pessoas de diferentes idades e apresentar comportamentos bastante distintos. Embora algumas formas sejam agressivas e avancem rapidamente, outras evoluem lentamente e podem permanecer controladas por muitos anos.
O que é o linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin é um grupo de cânceres que se desenvolvem nos linfócitos, células de defesa do organismo. Essas células fazem parte do sistema linfático, uma rede composta por vasos, gânglios linfáticos (linfonodos) e órgãos que ajudam a proteger o corpo contra infecções.
Os linfonodos estão distribuídos por diversas regiões, como pescoço, axilas, virilhas, tórax e abdômen. Quando determinados linfócitos começam a se multiplicar de maneira descontrolada, podem dar origem ao linfoma. A doença pode surgir em diferentes partes do corpo e atingir crianças, adultos e idosos, embora seja mais frequente com o avanço da idade.
Quais os diferentes tipos de linfoma?
Os linfomas são divididos inicialmente em dois grandes grupos: linfoma de Hodgkin e linfoma não Hodgkin. Este último reúne dezenas de subtipos, classificados conforme as características das células afetadas.
Entre os principais grupos estão:
- Linfomas de células B: são os mais comuns e representam a maioria dos casos. Incluem subtipos como o linfoma difuso de grandes células B e o linfoma folicular.
- Linfomas de células T: são menos frequentes e apresentam diferentes formas de manifestação e evolução.
- Linfomas de células NK: são mais raros e se originam de outro tipo de célula do sistema imunológico.
Além dessa classificação, os linfomas não Hodgkin podem ser divididos conforme sua velocidade de crescimento. Linfomas indolentes apresentam evolução mais lenta. Algumas pessoas podem permanecer por longos períodos sem sintomas importantes e, em situações específicas, apenas o acompanhamento médico pode ser inicialmente necessário.
Já os linfomas agressivos têm crescimento mais rápido e geralmente exigem tratamento iniciado com maior urgência. Apesar da gravidade, alguns desses linfomas respondem muito bem às terapias e podem ser tratados.
É importante destacar que o grau de agressividade não determina, isoladamente, as chances de recuperação. O subtipo, a extensão da doença, a resposta ao tratamento e as condições gerais do paciente também influenciam o prognóstico.
Quais são os principais sintomas?
Um dos sinais mais conhecidos do linfoma é o aparecimento de caroços ou aumento dos gânglios linfáticos. Geralmente, esses caroços não provocam dor. Outros sintomas que merecem atenção incluem:
- febre persistente ou recorrente, sem causa definida;
- suores noturnos intensos, capazes de molhar roupas e lençóis;
- perda de peso involuntária;
- cansaço excessivo e fraqueza;
- coceira persistente na pele;
- perda de apetite;
- desconforto ou aumento do volume abdominal;
- tosse persistente ou dificuldade para respirar, dependendo da região afetada.
Esses sinais não significam necessariamente a presença de câncer. Infecções e outras condições mais comuns também podem provocar sintomas semelhantes. Entretanto, quando persistem, se repetem ou aparecem em conjunto, é importante procurar avaliação médica.
O linfoma não Hodgkin é uma emergência?
A gravidade depende do subtipo da doença, de sua localização e da velocidade de crescimento.
Algumas complicações exigem atendimento de emergência, como dificuldade importante para respirar, inchaço súbito do rosto ou pescoço acompanhado de falta de ar, alterações neurológicas agudas e redução acentuada da quantidade de urina.
Pessoas em tratamento contra o linfoma também precisam de atenção especial: a febre pode indicar uma infecção grave, principalmente quando há redução das células de defesa causada pela quimioterapia. Por isso, diante de sintomas persistentes, o ideal é não adiar a investigação. Já os sinais de complicações graves exigem atendimento hospitalar imediato.
Quem tem maior risco de desenvolver linfoma não Hodgkin?
O linfoma não Hodgkin não é causado por um único vírus e pode atingir pessoas de qualquer idade, embora seja mais frequente em adultos mais velhos. O risco também pode ser maior em indivíduos com o sistema imunológico enfraquecido, doenças autoimunes ou determinadas infecções, como as provocadas pelo HIV e pelo vírus Epstein-Barr.
Não existe uma forma garantida de prevenir a doença, mas algumas medidas podem ajudar a reduzir fatores de risco, como evitar a exposição desnecessária a produtos químicos potencialmente cancerígenos, prevenir infecções associadas ao linfoma e manter o acompanhamento médico de condições que comprometem a imunidade.
Vale reforçar que o linfoma não Hodgkin não é contagioso, e a presença de fatores de risco não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá a doença.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação começa com a avaliação clínica, na qual o médico analisa os sintomas, o histórico de saúde e a presença de linfonodos aumentados. A confirmação geralmente depende de uma biópsia, procedimento que permite analisar uma amostra do tecido suspeito e identificar o tipo específico de linfoma.
Também podem ser necessários exames de sangue e de imagem, como tomografia computadorizada e PET-CT, para verificar a extensão da doença. Essa identificação detalhada é fundamental, pois cada subtipo pode exigir uma estratégia diferente de tratamento.
Quais são as possibilidades de tratamento?
O tratamento do linfoma não Hodgkin avançou significativamente nas últimas décadas. Atualmente, existem diferentes abordagens que podem ser utilizadas isoladamente ou em combinação, dependendo das características da doença.
Entre elas estão a quimioterapia, a imunoterapia, a radioterapia, as terapias-alvo, o transplante de células-tronco hematopoiéticas e a terapia com células CAR-T.
Em alguns linfomas de crescimento lento e sem sintomas relevantes, o especialista pode recomendar acompanhamento periódico antes de iniciar medicamentos. A escolha do tratamento deve ser individualizada e conduzida por uma equipe especializada, geralmente com acompanhamento de hematologistas e oncologistas.
O linfoma não Hodgkin tem cura?
Muitos tipos de linfoma não Hodgkin podem alcançar a remissão completa, inclusive alguns considerados agressivos, quando apresentam boa resposta ao tratamento.
Outros subtipos, especialmente os indolentes, podem apresentar tendência a reaparecer ao longo do tempo, mas frequentemente permitem períodos prolongados de controle da doença e boa qualidade de vida. O prognóstico depende de diversos fatores, incluindo o subtipo, o estágio em que o câncer foi identificado, a idade, as condições clínicas do paciente e a resposta às terapias.
A história do cantor Netinho evidencia a gravidade que a doença pode alcançar, mas não representa a evolução de todos os pacientes diagnosticados com linfoma não Hodgkin.
Informação e diagnóstico precoce fazem a diferença
Não existe um exame de rastreamento recomendado para a população geral capaz de detectar precocemente todos os casos de linfoma não Hodgkin. Por isso, reconhecer alterações persistentes no organismo e buscar orientação médica são medidas importantes.
Com o diagnóstico correto, o acompanhamento especializado e os avanços das terapias, muitos pacientes conseguem alcançar a remissão da doença, retomar suas atividades e preservar a qualidade de vida.
Sugestões de consulta
- Agência Brasil (13/10/2026): Cantor de axé Netinho morre em Salvador aos 60 anos – Notícia sobre o falecimento do artista e as complicações divulgadas por sua assessoria. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-10/cantor-de-axe-netinho-morre-em-salvador-aos-60-anos (acesso em outubro de 2026)
- Instituto Nacional de Câncer (INCA): Linfoma não Hodgkin – Informações gerais sobre a doença, fatores de risco, diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/linfoma-nao-hodgkin (acesso em outubro de 2026)
- Instituto Nacional de Câncer (INCA): Sinais, sintomas e tratamentos. Conteúdo acessível, especialmente útil para leitores sem formação médica. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/linfoma-nao-hodgkin/versao-para-populacao (acesso em outubro de 2026)
