Mais saude-Thumbs-Pressão arterial ideal

Pressão arterial ideal ainda está longe da realidade para quem já teve doença do coração

Estudo internacional mostra que apenas 1 em cada 10 pacientes com doença coronariana apresenta pressão arterial dentro da faixa considerada ideal. A maioria continua acima da meta e mais de um terço já está abaixo dos valores recomendados

Controlar a pressão arterial é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca. Mas um novo estudo internacional publicado na revista Heart (BMJ) mostra que alcançar esse equilíbrio ainda é um grande desafio.

Pesquisadores avaliaram 4.548 pessoas que já haviam sido internadas por doença arterial coronariana em diversos países. A pressão arterial foi medida, em média, pouco mais de um ano após o evento cardíaco e comparada com as metas atuais.

Os resultados chamam atenção. 54% dos pacientes continuavam com pressão acima da meta, ou seja, permaneciam com maior risco cardiovascular apesar do tratamento. Por outro lado, 36% apresentavam pressão abaixo de 120/70 mmHg, faixa considerada excessivamente baixa segundo algumas diretrizes europeias. O dado mais preocupante foi que apenas 10% dos pacientes estavam exatamente dentro da faixa considerada ideal, entre 120–129 mmHg de pressão sistólica e 70–79 mmHg de pressão diastólica. 

Os pesquisadores observaram ainda que os pacientes com pressão muito baixa eram, em média, mais idosos, apresentavam maior fragilidade clínica e mais doenças associadas. Curiosamente, eles não utilizavam maior quantidade nem doses mais elevadas de medicamentos para pressão, sugerindo que esses valores baixos podem refletir características do próprio paciente, e não apenas o tratamento. 

O estudo também destaca uma importante controvérsia científica. Enquanto a diretriz europeia de hipertensão recomenda evitar reduções excessivas da pressão arterial em pessoas com doença coronariana, a diretriz europeia de cardiologia não faz essa mesma recomendação. Isso mostra que ainda existem dúvidas sobre qual é o limite inferior mais seguro para esses pacientes. 

Mais do que perseguir o menor número possível, o objetivo deve ser alcançar a faixa adequada para cada pessoa, equilibrando proteção cardiovascular e segurança.

Aplicação prática

Se você já teve infarto, angina ou colocou stent, controlar a pressão arterial continua sendo fundamental. Entretanto, o tratamento deve ser individualizado. Pressão persistentemente elevada aumenta o risco cardiovascular, mas reduzi-la excessivamente também pode não ser desejável em alguns pacientes. O acompanhamento médico periódico é essencial para encontrar a meta mais segura e eficaz para cada caso.

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Referência

  • McCormick JP, De Bacquer D, Jennings C, et al. Prevalence and characteristics of patients with coronary heart disease and blood pressure below target: the INTERASPIRE study. Heart. 2026.
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Clayton Macedo

Médico endocrinologista e curador do Portal Mais Saúde.

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