Anvisa aprova novas canetas de semaglutida e amplia as opções de tratamento
Cinco novos medicamentos contendo semaglutida recebem registro da Anvisa. A decisão fortalece o acesso a terapias aprovadas e reforça que o combate à obesidade deve ocorrer com medicamentos seguros, eficazes e submetidos ao rigor regulatório
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis contendo semaglutida, agonista do receptor de GLP-1 utilizado no tratamento do diabetes tipo 2. A medida amplia as opções terapêuticas disponíveis no país e representa um passo importante para aumentar a concorrência e favorecer o acesso da população a medicamentos aprovados.
As novas canetas registradas são:
Owozy
Empresa titular do registro: Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda.
Seemasun
Empresa titular do registro: Sun Farmacêutica do Brasil Ltda.
Zempneo
Empresa titular do registro: Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A.
Semavy
Medicamento da Mantecorp Farmasa/Hypera Pharma, com registro concedido à Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A.
Orsema
Empresa titular do registro: Ranbaxy Farmacêutica Ltda.
Embora os registros tenham sido concedidos para medicamentos indicados no tratamento do diabetes tipo 2, a notícia também chama atenção para um tema de enorme relevância em saúde pública: a obesidade. Hoje, ela é reconhecida como uma doença crônica, complexa, multifatorial e recidivante, que frequentemente exige acompanhamento contínuo e tratamento de longo prazo. Em muitos pacientes, mudanças no estilo de vida são fundamentais, mas podem precisar ser associadas ao tratamento farmacológico para alcançar e manter resultados consistentes.
Apesar dos avanços científicos, o Brasil ainda não oferece tratamento farmacológico para obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso limita o acesso de milhões de brasileiros a terapias que já demonstraram benefícios clínicos importantes quando utilizadas de forma adequada e sob acompanhamento médico.
A ampliação do número de medicamentos aprovados pela Anvisa é uma boa notícia porque pode aumentar a oferta e favorecer a concorrência. No entanto, ampliar o acesso não significa flexibilizar os critérios de qualidade. O caminho para uma assistência mais justa passa por disponibilizar medicamentos aprovados, seguros, eficazes e produzidos sob rigoroso controle regulatório.
Da mesma forma, é importante não confundir a necessidade de ampliar o acesso com alternativas que não passaram pelo mesmo processo de avaliação sanitária. Medicamentos obtidos por contrabando ou formulações manipuladas sem comprovação equivalente de qualidade, segurança e eficácia não representam uma solução para o problema da obesidade. A verdadeira equidade consiste em garantir que a população tenha acesso a tratamentos respaldados por evidências científicas e aprovados pelas autoridades regulatórias.
Referência
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução-RE nº 2.941, de 28 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de julho de 2026, que deferiu os registros dos medicamentos Zempneo, Semavy, Orsema e Seemasun contendo semaglutida

