Por que a vacinação é importante no controle do diabetes
Como a imunização reduz riscos, previne complicações e protege quem vive com diabetes
Quando pensamos no tratamento do diabetes, as primeiras imagens que vêm à mente são o monitor de glicemia, a alimentação equilibrada e a prática de exercícios. No entanto, existe um aliado poderoso que muitas vezes fica fora do radar, mas que deveria estar no topo da lista de prioridades: a carteira de vacinação atualizada.
Para quem convive com o diabetes, tanto tipo 1 como tipo 2, uma simples gripe gera mais preocupação. Existe uma relação de mão dupla entre infecções e açúcar no sangue que faz com que um resfriado comum se torne um desafio metabólico.
Ao ficar doente, a glicemia tende a subir, mesmo que a pessoa não tenha mudado nada na dieta. Isso acontece porque, para combater um vírus ou uma bactéria, o corpo libera hormônios de estresse (como o cortisol e a adrenalina). Eles são ótimos para dar energia ao sistema imunológico, mas têm um efeito colateral: combatem a ação da insulina, fazendo o açúcar no sangue disparar.
Em uma pessoa com diabetes, esse descontrole dificulta a recuperação, criando um ciclo onde a glicemia alta enfraquece as células de defesa, e a infecção, por sua vez, mantém a glicemia alta. A vacina entra em cena justamente para quebrar esse ciclo sem que a glicemia se descontrole.
O Ministério da Saúde e as sociedades médicas recomendam as vacinas necessárias para o paciente portador de diabetes:
- Gripe (influenza): deve ser feita anualmente. Pacientes com diabetes têm um risco muito maior de hospitalização por complicações da gripe, como a pneumonia.
- Pneumonia (pneumocócica): o diabetes pode tornar os pulmões mais vulneráveis. Essa vacina protege contra infecções graves, meningite e bacteremia (bactérias no sangue).
- Hepatite B: o CDC e a Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam essa proteção, já que o uso frequente de monitores de glicemia e outros dispositivos pode aumentar o risco de exposição, caso o manejo não seja estritamente individual.
- Herpes-zóster: para quem tem mais de 50 anos, o diabetes é um fator de risco para o surgimento do “cobreiro”, que pode ser extremamente doloroso e difícil de tratar em quem já tem sensibilidade nos nervos (neuropatia).
- Covid-19: pessoas com diabetes podem ter mais probabilidade de reagir com sintomas mais graves do vírus.
Muitos pacientes temem que a vacina cause reações. É verdade que um leve mal-estar ou dor no local da vacina podem ocorrer, mas são somente sinais de que seu sistema de defesa está trabalhando. Esses sintomas nem se comparam ao esforço que o corpo precisa fazer para tratar uma internação por infecção respiratória, por exemplo.
Manter as vacinas em dia é um ato de autocuidado tão importante quanto tomar sua medicação diária, garantindo que seu organismo não precise lutar em duas frentes de batalha ao mesmo tempo.
Sugestões de consulta
- Ministério da Saúde (Brasil): Manual de Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Endereço: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2024/manual-dos-centros-de-referencia-para-imunobiologicos-especiais-6a-edicao (acesso em fevereiro de 2026)
- National Foundation for Infectious Diseases (NFID): Vacinas e diabetes. Endereço: https://www.nfid.org/immunization/vaccines-and-diabetes/ (acesso em fevereiro de 2026)
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD): Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2023-2024 (Capítulo sobre Imunização no Paciente com Diabetes). Endereço: https://diretriz.diabetes.org.br/imunizacao-no-diabetes/ (acesso em fevereiro de 2026)
- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm): Calendário de Vacinação SBIm Pacientes Especiais. Endereço: https://sbim.org.br/images/ex7tipaodu.pdf (acesso em fevereiro de 2026)
